QUANDO TUDO ACONTECE...


QUANDO TUDO ACONTECE...
Angela Bonas
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31/01/2010 12:42
UMA REVOLUÇÃO SILENCIOSA
Tenho recebido por email muitas mensagens destacando o valor da mulher madura. (hummm, vejo alguma insinuação nas entrelinhas?) (risos)

A maturidade nos tira muita coisa, mas recebemos com otimismo tudo de bom, de novo, de mágico que ela nos oferece. Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria só para reviver algumas histórias que compõem a minha memória afetiva e voltaria depressinha para o meu presente.

Porque a maturidade nos faz sentir mais livres, mais felizes e mais belos, aliviados das algemas da ditadura da moda e da beleza. Até porque só é possível se sentir bonito quem se aceita e se conhece de verdade. E nós já nos conhecemos há mais de meio século!

Hoje, já temos o Estatuto do Idoso, até um Fundo Nacional para projetos para idosos. E pra nós, os maduros, nada?

Está acontecendo uma revolução silenciosa. Vem surgindo um novo conceito de homem, o que acompanha a evolução da mulher com orgulho e gosta dessa mulher feliz com suas rugas emergentes, com o seu corpo já sem o vigor da juventude, mas ainda mais sensual, caloroso, acolhedor e belo. E uma mulher que não nega a sensualidade, o erotismo bem vivido, a cumplicidade amorosa, o companheirismo pleno.

Mas eu quero poder comprar uma calça jeans que não apenas me cubra as “partes pudendas” (como diria a minha vó”) com apenas cinco centímetros de frente, e me faça “pagar cofrinho” (como diria meu neto) toda vez que me abaixo para pegar os óculos (com os quais já não vivo e que derrubo umas cem vezes ao dia)!

Quero fazer ginástica para ser mais saudável, e não participar do “iron women” – e que me faz ficar com dores musculares por uma semana, sendo que me resta fazer uma hidroginástica sem graça numa piscina superaquecida, pois as outras alunas sentem frio...

Quero poder comprar uma lingerie sensual que não me faça sentir apertada, com se estivesse usando um espartilho da idade média, porque as fábricas produzem peças tamanho G que só me serviam quando eu tinha uns quinze anos!

Estou cansada de ver na mídia mulheres maduras siliconadas, lipoaspiradas, com um garotão de vinte anos por semana. Meus modelos são a Dra. Silvia Brandalise do Centro Infantil Boldrini de Campinas, Luiza Helena Trajano do Magazine Luiza, Maria Helena Santa da Comissão de Valores Mobiliários.

Mas não somos só essas: somos a Nair que vende pastéis na feira, a Maria Inês que acabou de abrir um salão de cabeleireiro, a Rose que trabalha como telemarketing, a Ana que se aposentou e viaja com o marido pelo menos cinco vezes por ano (e todo final de semana vai pra casa de praia.)...

De que adianta ouvir as dicas de Glorinha Kalil, se não temos onde comprar?

Acorda, comerciante brasileiro!


Angela Bonas | comentários(0 )



13/12/2009 11:27
AMANHÃ É NATAL, MAS HOJE TAMBÉM É...
Ei, você, aonde vai com tanta pressa? Eu sei que você tem pouco tempo... Mas, será que poderia me dar uns minutos da sua atenção?

Percebo que há muita gente nas ruas, correndo como você. Para onde vão todos? Os shoppings estão lotados... Há uma correria generalizada... Alimentos e bebidas são armazenados... E os presentes, então? São tantos a providenciar... Entendo que você tenha pouco tempo. Mas, qual é o motivo dessa correria?

As luzes enfeitando vitrines, ruas, casas, árvores... Ahhhh, amanhã é Natal...

Na nossa vida, com todas as complicações que surgem e com a habituação das coisas, não nos damos conta das coisas simples e boas da vida. No meio da confusão do dia a dia, do escasso tempo que sobra para nós ou para a família ou namorada etc... Não vemos as coisas que estão a nossa volta que são simples, comuns, mas que nos trazem alegria.

E porque amanhã é Natal, reunamo-nos todos os que lutamos juntos, na alegria e na dor, e que apesar de tudo permanecemos unidos.

Olhemos para a mãezinha a quem chamamos o ano inteiro para pedir roupa limpa, comida, e digamos: Mãe, o que seria da minha vida sem você? Eu a amo, mãezinha querida. Ao pai a quem só nos dirigimos para pedir dinheiro, carro emprestado, cartão de crédito, e falemos com carinho: Olá, paizão! Apesar de não ter o costume de dizer eu o amo, tenho certeza de que minha vida não teria sentido sem você.

Acerquemo-nos daquele irmão com quem não conversamos, olhemos nos seus olhos e falemos: Olá, mano! Que bom ter você no meu caminho! Aproximemo-nos daquele filho drogado, infeliz, rebelde, e falemos com ternura: Filho, você é a estrela da minha estrada! Sem você a vida não teria sentido...

E, porque amanhã é Natal... busquemos a secretária do lar, que chega à nossa casa muitas vezes antes do sol nascer e só vai embora depois que o último filho chega do colégio, para lavar a louça e deixar tudo em ordem, e digamos: Minha amiga, precisamos uns dos outros. Que bom poder contar com você por mais um ano! E, porque amanhã é Natal... olhemos para nosso patrão e falemos o quanto ele tem sido importante em nossa vida, pois nos ajuda a ganhar o pão de cada dia.

Num dia distante, há mais de vinte séculos, o Divino Pastor nasceu entre as Suas ovelhas. Veio manso, numa noite silenciosa, somente deixando-se anunciar por um coro de mensageiros espirituais, aos corações dos homens de boa vontade.

Até hoje, Ele continua assim: falando aos homens que se dispõem a ter boa vontade para com os outros homens. Boa vontade para se doar, para se dar, para amar.

Este é o sentido do verdadeiro Natal: o amor de Deus para com os homens. O amor dos homens uns para com os outros, em nome do Divino Amor que se chama Jesus...


Angela Bonas | comentários(1 )



30/10/2009 17:30
SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO
Quando vai chegando novembro, a primavera se estabilizou mas o verão já teima em mostrar seus ares quentes, eu me vejo analisando o ano que passou. E talvez por causa do dia de Finados que se aproxima, sempre aumenta minha ansiedade para que o ano termine logo e um novo se inicie...

Este ano não estava sendo diferente mas, por força dos acontecimentos no último novembro, eu estava me sentido triste e desanimada para o Natal: a melhor época do ano (eu achava!), onde até o ar carregado de São Paulo parece que se transforma em algo mais etéreo.

Foi quando li que sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi aí que me deu o “clic” (ou caiu a ficha, como dizem): ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

Encerrando ciclos. Indo embora. Soltando-se. Desprendendo-se.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Você larga isso no passado e vai em frente!

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser QUEM ERA, e se transforme em QUEM É. Deixe as coisas que você acha ruim, e a boas também, apenas na lembrança, deixe espaço no seu pensamento só para o PRESENTE! Seja livre...

Ser livre é não ser servo das culpas do passado e nem escravo das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama, é abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar... Recomeçar todos os dias, acreditando que cada dia é realmente um NOVO dia...
Angela Bonas | comentários(1 )



29/06/2009 14:58
CANTINHO DA MEMÓRIA IV
CONVERSA DE BOTEQUIM

Tudo é possível numa conversa de botequim.

Claro que no botequim ainda tem aquela “tiração de sarro” com os camaradas presentes, e com os não presentes também. Histórias absurdas e esdrúxulas de cada um ressurgem das cinzas. Incrível como um boteco tem esse poder.

E num certo boteco da Rua Santo Antonio, os camaradas apostavam em tudo: “Aposto que agora vai subir um fusca azul!” “Eu aposto no verde”... E, nas tardes de menos movimento, colocavam um pouquinho de açúcar na frente de cada um, e apostavam em qual dos montinhos uma mosca ia pousar primeiro... Coisas de botequim...

Dois freqüentadores famosos: o Vitório Marques (o Vitório Mentira) e Elias Luis de Oliveira, o Maraco. Tão famoso, que quando se diz alguma coisa “muito” difícil de se “acreditar”, os possenses exclamam “Êêêê Maraco...”

Eu conversei com o Maraco, e ele me disse que é apenas um contador de estórias porque o pessoal gosta de ouvir. Também que lembra com saudades do tempo em que seus amigos se reuniam no Bar do Bocha para ficar jogando conversa fora: “Eu tenho 84 anos e nunca na minha vida coloquei uma gota de bebida alcoólica na boca, ou fumei. A gente se reunia no bar só pra conversar e contar estória, hoje tá tudo tão diferente...”, diz.

O Maraco tinha um Fusca 1200 tão potente e veloz, que teve que tirar uma das velas pra não correr tanto e ganhar multa. Uma noite ele vinha subindo a Av. Posse de Ressaca, naquele pedaço que ainda tinha um barranco do lado direito, ventava tanto que desviou o foco do farol pro barranco, ele ficou sem enxergar a estrada...

E da outra vez que ele perguntava pra todo mundo se tinham visto o sabiá que fugiu da casa dele. “Mas como a gente vai saber que o bichinho é o seu?”, perguntavam. “Ele fugiu com gaiola e tudo...”

E o Vitório Marques, quando morava na João Carlos da Cunha, uma vez disse que nasceu um pé de milho no quintal da casa dele com DEZESSETE espigas de milho... Dr. Paulo “B. Branca” Coelho foi conferir... E afirma até hoje que não tinha dezessete, tinha DEZOITO... Êêêê Maraco, será?...

Angela Bonas | comentários(4 )



07/04/2009 16:13
SE ENVELHECER É INEVITÁVEL, JÁ NÃO BASTA UM SABONETE...
No final de março, estive numa feira de cosmética em São Paulo, e esperava encontrar aquelas modelos anoréxicas, com aqueles cabelos impossíveis de serem usados no dia a dia...

Mas foi uma agradável surpresa! Em primeiro lugar, percebi que a turbulência econômica pode derrubar mercados mundo afora, mas, quando se trata de vaidade, as brasileiras e brasileiros mostram que são duros na queda. Mesmo em tempos de crise, o Brasil é hoje o país onde mais cresce o consumo de produtos de beleza e higiene pessoal.

As modelos pareciam pessoas comuns (quer dizer, com peso que qualquer ser humano pode alcançar sem muitos sacrifícios...) E os visitantes? Gente bonita, de cabelos bonitos, maquiagem bonita, criando a própria moda, gente de 18, ou 30, ou 50, ou 70 anos, sem preconceito de idade!

Todo mundo querendo aprender novas técnicas, conhecer novas tecnologias. E a turma da “maior idade”?

A vaidade é tão importante para a saúde na segunda ou terceira idade quanto exames periódicos e exercícios físicos, porque está associada à saúde psicológica, dizem os especialistas. Cuidar-se significa manter a própria dignidade, a pessoa lembra que ainda está no mundo embora, muitas vezes, esteja aposentada, com filhos criados e sem o viço físico da juventude, o que é natural.

Quem vive intensamente o momento presente é capaz de ir aprendendo a lidar bem com os pedidos do seu próprio corpo, e se adaptará continuamente a essas demandas de um modo leve e tranqüilo. Os felizardos que atingem essa condição continuam tão ou mais vaidosos do que antes, porque continuam gostando de si mesmos e estão atentos para fazer, em termos de cuidado pessoal, tudo aquilo que mantém elevada sua auto-estima.

Uma modelo de 20 anos pode parecer bela, mas estar com a saúde comprometida. No caso dos maiores de 40, uma plástica facial ou uma lipoaspiração não se sustenta se não tiver uma pele hidratada, um corpo cuidado. Quando decide se cuidar, sabe que só terá efeito externo se for de dentro para fora.

E descobri também que vaidade e beleza já não são mais coisas exclusivas das mulheres. Os homens, gradualmente, vem deixando de lado os preconceitos e evidenciando sua preocupação em melhorar a própria imagem!

E não é apenas em cirurgias que a vaidade do homem se expressa. A presença deles em salões de beleza é cada vez mais marcante. Geralmente, além de realizar cortes de cabelo, eles buscam outros processos para uma aparência mais limpa e bem cuidada. Já é com mais freqüência que se encontram homens fazendo as sobrancelhas e unhas, procurando um aspecto mais leve no visual.

Mas dá para prevenir e cuidar em casa, também. Uma boa limpeza, hidratação e proteção solar já garantem a saúde da pele. E o que não falta no mercado são revistas especializadas e programas de tv trazendo muitas informações e dicas.

O que você tem que fazer é continuar apostando em você e na sua capacidade de ser feliz, de agradar ao outro, de dar e de receber. Ao perceber que algumas coisas já não podem ser feitas como antes, adapte-se para fazer diferente, mas não as abandone, transforme-se e transforme-as para melhor. Agindo assim, você terá muitas surpresas agradáveis. Já que envelhecer é inevitável, que tal com saúde e bem-estar?

Angela Bonas | comentários(1 )

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